Passos silenciosos, direcionados, convictos. Ao fundo, rosnados silenciosos, secretando profundos desejos. Sabe o que quer. Caminha lentamente ciente de seu objetivo. Poderá realizá-lo? Não sabe. Mas irá tentar. Nunca irá parar. Destemido e certo de suas mais obscuras vontades, prepara-se para a mais derradeira, a mais importante de suas lutas. Uma fera solta em busca de sua caça. A liberdade. Consegue senti-la?
Alguns dias atrás, cansado de ficar enclausurado dentro de casa, fui até o zoológico com minha família. Nunca fui muito fã desses passeios. Ver animais enjaulados, irritados e carentes, transitando inevitavelmente dentro dos mesmos meios. Não vejo nada de natural nisso. Sem falar da semelhança gritante que todo esse clima tem com a minha própria rotina. Enfim, sem ter opções mais interessantes de passeio, acabei indo. Mal sabia eu que daquela vez seria diferente.
Chegando lá, caminhei livremente, respirei um ar diferente do habitual. Em meio a jaulas, fui alforriado. Um sentimento paradoxal. Enquanto minha família olhava os animais, fui até o único que me interessava naquele lugar. O leão. Rei soberano e selvagem, símbolo de força e poder, magnificência da juba dourada. Aquele, talvez, nem tão imponente assim, mas não deixava de ser, afinal, um leão.
Meu estimado amigo naquele dia parecia não estar para papo. Deitado de costas para mim em sua majestosa tabua parecia distante dali. Sentei e aproveitei os poucos momentos de solidão para acompanhar seus pensamentos. Talvez divagasse sobre as savanas longínquas, recheados de suculentos gnus e deliciosos antílopes que fugiam ferozmente da sua gula carnívora, ou nas leoas fieis e corajosas que jamais lhe abandonariam no calor da batalha ou nos inquietos e curiosos filhotes que herdariam todo seu legado, quando em uma brava e heróica luta a força em seus músculos lhe faltasse e chegasse, enfim, o momento de dizer adeus. Um pomposo e corajoso reinado digno de um soberano. Um pomposo e corajoso reinado que jamais irá existir. Visíveis sonhos irrealizáveis para aquele pobre leão.
Compadeci de sua tristeza. Não por ser um simples animal enjaulado, mas por dizer muito de mim mesmo. Sentado ali, aproveitei aqueles poucos momentos para abandonar minha racionalidade mais uma vez e desabafar palavras vagas. Balbuciar frases desconexas. Rugidos sem ritmo. Pensamentos que falariam por nós dois. Coisas que meu próprio coração saberia que ele entenderia. Quando percebi, estava ele, aquele mesmo pobre e domesticado leão, de uma tristeza distante e sonhos despedaçados, olhando diretamente para mim. Surpreso e um pouco aterrorizado, fitei com um pouco de coragem tais orbitas ameaçadoras. Olhos de uma certeza profundamente assustadora, de uma determinação cortante que queriam me fazer despertar e também ver algo que eu não via. A liberdade que fazia questão de não perceber, da jaula ilusória que prendia minhas vontades e da minha própria falta de vontade em querer viver. Foi somente com o olhar intimidador de um leão que compreendi que as grades que me prendiam eram apenas as que eu mesmo havia colocado para mim. Ao sair de lá e o olhar uma última vez para, refleti sobre nós. Por mais que quisesse acreditar que aquele leão não entendia nada do que havia dito, eu vi em seus olhos que, para nós dois, aquilo tudo não era o bastante.
Nós escolhemos nossas grades, nossas jaulas, nossas gaiolas. Escolhemos o quanto desejamos, prezamos e buscamos nossa liberdade. Mas acima de tudo, escolhemos se queremos ser livres. Não são nossos trabalhos, nossas famílias, nossas obrigações diárias que nos impede de viver, mas nós mesmos. A fome em se ter tudo e nunca abrir mão de nada faz com que se perca o direito de ser livre. Somos nós que colocamos tarefas, objetivos, sonhos acima das nossas vontades, do nosso próprio amor próprio, da nossa liberdade. Ninguém mais. Somente, quando se compromete arriscar à perda, ao sofrimento, ao deixar para trás é que nos livramos de nossas algemas, de nossas gaiolas, de nossas jaulas e damos nosso primeiro passo na direção certa, voltamos a sentir nossas jubas roçarem carinhosamente o vento e encontramos o caminho de volta para nossas savanas perdidas, o nosso lugar afinal. E para isso acontecer, não se precisa mesmo de nenhuma conversa entre leões.
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Habituamos a viver enclausurado em nossas rotinas, seguir sempre os mesmos habitamos, caminhar pelas mesmas estradas, mas até onde nos deixamos viver? Seguir por outros rumos? Até onde você se permite ser livre? Quando que não somos nós os pobres leões presos em nossas jaulas e quando também não somos nós que permitimos que seja assim?
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Last Draw
Agradeço a Tici pela idéia. Estou me dando esse texto de presente de aniversário, já que trata de um tema que eu gosto a partir de uma narrativa elaborada em cima de uma visita que fiz ao Zoológico da UPF algumas semanas atrás. A narração é completamente verídica tanto que tirei algumas fotos. Para quem quiser conferir o leão olhando para mim, clique aqui.
Estou cansado, estressado e irritado, exatamente como ando nos últimos meses. Motivos? Não sei. Apenas sei que minha rotina está me sufocando completamente. Levo semanas para conseguir escrever um texto, mal lido com assuntos da faculdade, mal procuro ou tento me animar. Não que goste de ficar assim, mas que são tantos problemas ligados e eu não consigo simplesmente acabar com eles. Não consigo encontrar a raiz de tudo, nem consigo ficar um dia sem me sentir mal. Às vezes, entro em paranóias de querer tudo perfeito, um perfeccionismo completamente inalcançável. Acho tudo que faço uma droga e não consigo me dar por satisfeito nem por um segundo. Por isso tudo, eu achei melhor começar a fazer postagens mais irregulares aqui. Eu preciso de tempo pra encontrar a causa disso tudo e resolver. Até lá, prefiro ir devagar com responsabilidades que realmente não tenho motivo para manter. Como o blog. Assim, que me sentir bem para escrever, livre para postar como quiser e achar isso divertido, eu volto a postar com mais freqüência. Enquanto isso, férias parciais. Nunca vou abandonar a escrita, ela faz parte de mim, mas preciso de um tempo para me resolver como ser humano. Ou pelo menos, tentar. Vou fazer uma lista de tudo que realmente não preciso mais na minha vida e riscar. Chega.
A faculdade anda chata, pesada e desgastante como sempre. A monografia finalmente está saindo e eu estou tentando relaxar mais. No mais, eu tenho saído bastante até. Teve um jantar bem legal do Bando Letras esses tempos e eu me diverti bastante. Também joguei cartas com uns amigos do Sikora, galera bastante divertida. Teve até uma combinação de ida até o cinema que não rolou, mas que, talvez, fique para a próxima. Tenho saído mais, isso me anima. Estou me preparando para tomar decisões difíceis que vão alterar o resto da minha vida, mas que precisam ser feitas. Liberdade. Eu realmente preciso dela. That’s all, folks!
Alguém não gosta de você. É. Alguém passa noites e noites acordado elaborando planos milaborantes. Sim. Alguém move legiões de pobre ignorantes com argumentos inventados, criando confusão por sua causa. Aham. Você é o principal adorador do diabo, o ser mais horrível das trevas, o estímulo à maldade do mundo... Duvida? Para alguém você é. Acredite.
Sempre há algum ser que por alguma razão variada não gosta da gente. Decepção, raiva, ressentimento, às vezes, somente recalco. Sempre há uma motivação, um desejo secreto, que os leva, que os faz agir. Nós, na maioria das vezes, nos irritamos, estressamos, mas lá no fundo, bem lá no fundo, temos um nebuloso sentimento muito nobre, que muitos sonhadores buscam acha-lo, mas que poucas pessoas sortudas conseguem encontra-lo. Sem clichês românticos, por favor! Refiro-me a indiferença
Vai dizer que não? Enquanto, você lê essas linhas alguém reflete a respeito do quanto não gosta de você, o quanto desprezível a sua presença representa a humanidade, o quanto deseja, almeja, necessita que sua existência desapareça da face da terra. E você? Contorceu-se de raiva? Espumou pela boca? Mordeu seu rabo? Não? Ah, meu caro! A indiferença é maravilhosa, não é?
Eis a terra fértil dos sentimentos. Dela, surgem rosas vermelhas de paixão, brancas de amor, árvores resistentes como amizades verdadeiras e imensos baobás sólidos, às vezes destrutivos, similares a relações com nossas famílias. Da indiferença vem e para indiferença retornam. Por razões variadas, as flores perdem seu encanto, murcham, as árvores secam, morrem e os baobás tornam-se lembranças distantes do passado. Todas as relações que construímos terminam de uma forma ou de outra. É um ciclo. Um chamado a indiferença outra vez.
Mesmo assim, manter ou não determinadas raízes presas a essa terra é uma escolha nossa. Apesar de destrutivo, o ódio é um adubo poderoso, que nutri certas rixas, impede que feridas se fechem e mantêm vivas determinadas plantas que paras outras pessoas morreram há muito tempo atrás. Por bem ou por mal, o ciclo se completa, mesmo que não exatamente do jeito que deveria ser. Dessa forma, continuaremos não lutando, não discutindo, não brigando, simplesmente não ligando para a existência de alguns, esperando que algum dia, esses seres, tenham a mesma a sorte de não sentirem nada também e assim darem finalmente um rumo a suas vidas.
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Indiferença... Existe de fato? Ou trata-se apenas de uma forma de se mascarar outros sentimentos?
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Last Draw
Minhas últimas duas semanas foram mortas. Muito mortas. Eu estou completamente desmotivado com a faculdade, por causa do estresse que ando passando com a monografia. Fiquei entocado o último mês inteiro, lendo posts, analisando perfis, colhendo teorias. Foi um inferno. Em compensação, eu usei meu tempo livre para jogar Playstation 2. Finalmente, comecei Kingdom Hearts do jeito certo e estou me dedicando a saber mais de Resident Evil. Também, marquei saídas com amigos, caminhadas, idas ao cinema, saídas que acabaram não acontecendo. Por outro lado, fui com minha família até o zoológico. Tirei algumas fotos interessantes e acabei ganhando uma historia muito interessante sobre o Leão de lá que contarei no meu Deviantart ou no Orkut. Esperem pra ver. As aulas começaram e lá vai tudo outra vez. Já estou com saudade das férias. Até o próximo texto!
Vassoura, balde e espanador. Era seu único vício. Sua única paixão. Não havia um final de semana, um feriado qualquer que a mulher não se divertia em meio aos seus produtos de limpeza. Não havia prazer maior para ela do que ver sua casa limpa, o chão brilhando e a bagunça fora dali. O que talvez não se encaixasse em seus planos era sua família.
Enquanto a mulher trabalhava ardedemente para que a limpeza estivesse em primeiro lugar em seu reino, seu marido e filhos causavam a discórdia ao não ratificarem com essa sua doce postura. Era muito comum ver as crianças cometerem a heresia de brincar no pátio da casa. E ainda por cima sujarem suas, tão cuidadas e marejadas roupas. Gritos, pancadaria, xingões. Problema resolvido. Os moleques ingratos não se atreveriam mais a romper com seu reinado de limpeza.
O marido era outro problema. Pouco fazia ou se quer se importa com sua bendita necessidade de ordem e limpeza. O desgarrado homem resguardava-se frente à lei e ordem do detergente que protegia aquele sagrado lar da sujeira. Não pegava uma vassoura para varrer o chão, nem espanador para retirar a poeira dos moveis, muito menos lavar suas roupas. Era o inferno! Mas, no final do dia, quando ao longe já era visível o belo pôr-do-sol pelas janeiras limpamente envidraçadas, sentia-se satisfeita com seu legado realizado. Suas vassouras compensavam tudo afinal.
Sair com as crianças? Jantar com marido? Passeios em família? Qualquer momento de alegria, momentos de paz e diversão momentânea, situações irrelevantes. Pouco importava para ela. Não se recordava. Sua memória estava desinfetada. O cheiro dos detergentes era sua lembrança mais viva. A casa organizada sempre assim estava e a mulher não tinha nada a se preocupar. Reclamações da sua família eram completamente varridas da sua mente. Seus desejos eram tão higiênicos, quanto seus sonhos.
O tempo passou. A poeira não fora embora. Por mais que tentasse, nada mudou. A casa precisava ser organizada, sua família sempre obstruía o sucesso de seus planos. Contudo, aos poucos, o reflexo dos seus filhos no chão limpissimo começara a desvanecer. A presença fétira do marido entre os matérias de limpeza já não se sentia mais. Onde estaria sua família? Seu motivo principal de ardor? ... Quem se importava? A casa estava limpa! Era tudo que interessava. Mesmo não estando ali, sentia que somente assim tudo estaria afinal em seu devido lugar. Vassoura, balde e espanador. Era seu único vício. Sua única paixão.
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Um texto que eu escrevi pra minha mãe um tempo atrás, mas nunca passei pro computador. Apesar de hoje em dia, ela estar mais tranqüila nesse lado de limpeza, ela já foi extremamente neurótica com isso.
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Last Draw

Por enquanto, atualizarei o blog a cada duas semanas. Assim, não sufocará ninguém, caso alguém queira acompanhar todos os posts, além de me dar mais liberdade para cuidar do Revil e da faculdade sem me sentir pressionado por aqui. De quebra, criei essa micro seção para relatar como foram meus últimos dias, caso alguém tenha interesse em saber. Terminei minhas arrumações internas e estou bastante ocupado com a faculdade (monografia e projeto de pesquisa), Revil (novo fórum, revisões, problemas internos), com minha vida real (começando a sair mais de casa), o que não acho nada ruim. O Tédio me irrita profundamente Fiz uma operação alguns dias atrás para consertar um dente quebrado. Tenho algum carma não pago de outra vida com dentistas. Também, finalmente, depois de anos de espera, comprei meu playstation 2. Agora só falta arrumar tempo para jogar. A foto acima sou eu com a espada samurai do meu primo (katana, whatever). Tiramos algumas outras fotos bizarras, que acabaram indo parar no Orkut. No mais, é isso. Não tenho grandes prognósticos para os próximos dias a não ser me focalizar em cima da faculdade e terminar o conteúdo que ainda tenho para revisar para o Revil. Até a próxima!
Meus dias poderiam ser resumidos em uma única palavra: limpeza. Seja de objetos pessoais ou apenas mentais tenho jogado fora tudo que não me serve mais. Mensagens, bilhetes, fotos, sentimentos, sonhos. Alguns vão pro lixo, outros para o esquecimento. O mais curioso foi o que encontrei em minhas arrumações radicais. Uma velha caixa de giz de cera. Não fazia idéia que ainda guardava um objeto tão antigo e tão cheio de história...
Quando criança, mais ou menos as seis anos, lembro que comprei uma caixa de giz de cera. Não se tratava de um simples brinquedo ou de apenas uma ferramenta de desenho qualquer. Era um sonho se realizando. Cores vividas em pequenos estranhos lápis redondos. Uma sensação muito especial. Como era uma criança isolada, usava desenhos para expressar o que sentia, criando desse modo um mundo completamente meu. Assim, surgiam histórias variadas sempre recheadas de personagens estranhos, pessoas da minha própria vida que, por medo ou insegurança, não conseguia me aproximar. Transformava aqueles simples rabiscos em parte de minha existência e seguia assim. Tristemente feliz.
Cresci, mas nunca abandonei aqueles velhos gizes de cera. Sempre que os tempos se tornavam dificieis, lá estavam eles, prontos para me levar embora daqui. Decepção com algum amigo? Lá ia o giz azul criar um belo e vívido céu azul. Chance de emprego perdida? O lápis de cera amarela cunhava um radiante sol. Desilusão amorosa? Um extenso campo verdejante surgia a partir de poucos traços ásperos, dando-me um lugar para descansar. Rosa, amarelo, branco e Flores surgiam a cada pequena rusga que criava, a cada lágrima que derramava, a cada ataque de raiva que dava. Entregava-me de corpo e alma a minha imaginação como única forma de suportar a tudo que acontecia comigo.
Mas como tudo que é ilusório na vida, isso teve também o seu fim. Chegou um momento em que o giz acabara, o mundo ficara incolor e lentamente os desenhos começavam a desaparecer. O céu perdera seu caráter bucólico, o brilho do sol desvaneceu e os campos que antes eram vastos e frescos, hoje, pareciam pálidos, desbotados. Flores de boniteza infindável já não existiam mais. Tempestade. Era medo chegando, enturvando o meu belo clima imaginado. Era a hora de trilhar um novo caminho. Era a hora de encarar a realidade que havia evitado por tanto tempo. Era hora de crescer. Eis o sofrimento então.
Quando as coisas não vão bem é comum apoiar-se em outras pessoas ou hábitos para fugir da dor ou simplesmente evitar-se enfrentar a realidade. É um processo normal, que, quando fora de dosagem, vai destruindo gradativamente quem realmente somos, criando, na maioria das vezes, encostos e vícios. A pior parte é que isso não soluciona nada, pois cedo ou tarde seremos obrigados a passar por aquilo que evitamos. É o nosso destino. A nossa caminhada.
Pois, então, eu seguirei. Marcharei através da tempestade que nenhum lápis jamais será capaz de recolorir. Abandonarei os gizes pelo caminho. Irei com a coragem até o fim do caminho e quando reabrir meus olhos, ao final de tudo, acharei o que realmente esperava encontrar, a mais bela das premiações: Um límpido céu azul de raios de sol fulgentes sob um vasto campo verde rodeado de pequenas e delicadas flores de todas as cores. O cenário de meus desenhos, mas que, dessa vez, não precisará de nenhum giz de cera pra que seja bonito de verdade.
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Cause I don’t want my crayons anymore!
E aí está o porquê do meu blog se chamar missing crayon ou giz perdido! Fim de semestre, graças a Deus (ou não?). Monografia agora. Té semana que vem!
Sai de baixo! Copos nos ares, livros ao chão, vasos ás paredes. Gritos, berros, histeria! Apatia no olhar, respiração pesada, tensão. Não se trata de um animal solto em uma cidade grande, nem de algum filme de terror surreal, muito menos de algum culto religioso moderno. É você num dia ruim. Ah dúvida, senhor-racionalidade-exemplar? Vamos ver.
Sua família realmente não entende que você quer um pouco de paz. Metem-se na sua vida sem serem pedidos, interrompem momentos sagrados de diversão e seus amigos então? Quando você mais precisa, não estão nem aí para você! Seu patrão é uma mala, seus professores são completamente irracionais, seu cachorro não larga (literalmente) do seu pé, o padeiro não vende mais fiado. Raiva, meu caro. Exemplos, talvez de momentos isolados, das vezes que você perdeu a paciência. Juntos, até o mais canônico dos seres está, mesmo que internamente, com uma fera animalesca destruindo tudo que encontrar por pura e simples falta de paciência e um pouquinho de compreensão. Não diferente de você. Então, ainda és tão exemplarmente racional?
Hmm... Pois é...
No entanto, seus pais não entendem como você teve coragem de por um piercing em lugares tão sensíveis. E nem seus amigos, que depois de meses sem uma simples ligação, você, choroso, queira um ombro amigo para ser consolado. Lembra-se da última vez que passeou com seu cachorro na rua? Mas deve se lembrar daqueles sonhos maravilhosos que comeu na padaria da esquina e que "ocasionalmente" estava sem dinheiro a mão para pagar. Raiva, meu caro. Uma raiva sua, causada por você e descontada irracionalmente nos outros. O que me diz agora, senhor-racionalidade-exemplar?
Sentir-se irritado é mais do que um mecanismo de defesa. Na maioria das vezes, trata-se de uma forma de expor um medo, uma frustração ou uma dor, quando não se há ou não se consegue fazer de outra forma. Tratar a raiva como problema, é similar a tratar os sintomas de uma doença. Enquanto não se chegar ao fundo, a raiz de tudo, ela sempre irá voltar a atormentar. Raiva não é causa de nada, é conseqüência de tudo.
O pior de se enfurecer é se perder no processo. Perde-se a chance de entender melhor seus sentimentos e encontrar uma forma saudável de resolver seus problemas. Além de, obviamente, a calma. Com isso, as pessoas que realmente gostam de você acabam indo também embora. Mas o que irrita mais mesmo é alguém que não te conhece vir dar conselhos do que não tem conteúdo para lhe falar. Ih... Raiva, meu caro. Raiva.
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Escrevi esse texto num dia que estava muito irritado. Até que isso anda meio comum nos últimos tempos, mas mais se trata da tensão de final de semestre e de eu finalmente estar continuando a minha vida. No mais, tudo está normal agora. Está chegando as férias e eu estou relativamente ocupado. Nada a dizer. Até semana que vem!
Ela, solitária, vidrada em novelas. Caminhava sozinha pelas ruas molhadas e desertas. No rosto, um olhar distante e perdido, tateando lentamente os pontos brilhantes da cidade. O que procurava? Ninguém sabe. Jovem senhora presa dentro de seu mundo pequeno e de seus frívolos pensamentos.
Ele, amigável, grande amante do futebol. Dá passos silenciosos e discretos pelas calçadas da cidade. Olhar de uma solidão penetrante, de dias saudosos, de uma esperança em degrade. Percepções convenientemente disfarçado por um singelo sorriso cordial. Jovem homem de expressão calma e confusa que encobre quem realmente é.
We might live like never before
When there's nothing to give
Well how can we ask for more
We might make love in some sacred place
The look on your face is delicate
Ela pensa nas trivialidades da sua vida, nas inconsistências de seus tantos medos, nas ultimas fofocas que ouvira. Prédios passam vagamente sobre a luz destoada dos postes. Olhos repentinamente atentos ao movimento do local, um olhar cruzado, apresentando quase que acidentalmente um mundo não tão diferente do seu.
Ele concentra-se no vazio das suas relações, na incompletude de seus dias, nos últimos jogos do timão perdidos. Carros vem e vão sob o asfalto queimado, seus passos marcam brevemente sua estada por aqueles caminhos. Um olhar cruzado, pensamentos conectados, uma presença em seu ser maior do que conseguia assimilar.
We might kiss when we are alone
When nobody's watching
We might take it home
We might make out when nobody's there
It's not that we're scared
It's just that it's delicate
Vidas transcorrem. Um subordinado de um grande pirata, uma solitária freira, um sonhador dono de bar, um escravo. Pessoas palpáveis naquele olhar. Personagens parte também de sua história. Momento de regressão que não durou segundos. Ela continuou caminhando.
Passado cruzado. Uma lavadeira a espera de alguém a beira mar, uma madre frustrada de seus sonhos, um garçom carinhoso, uma sinhá de casamento descontente. Figuras translúcidas visíveis. Breves momentos de plena identificação. Ele continuou caminhando para longe.
So why do you fill my sorrow
With the words you've borrowed
From the only place you've know
And why do you sing Hallelujah
If it means nothing to you
Why do you sing with me at all?
Por mais que seus olhos soubessem o que suas mentes não conseguiam compreender, nada aconteceu, nenhum se quer olhou para trás. Os filhos dela esperavam por sua mãe para se alimentar. A esposa solitária dele aguardava em coma no hospital. Olhares perdidos entre tantos outros, de uma profundidade incomparável, unidos eternamente, separados pelo destino.
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It's not that we're scared. It's just that it's delicate
Tateou com cuidado a imagem refletida
Quem é esse ser que me encara? Que desafia?
Jovens olhos morenos de uma distancia profunda
Talvez um tanto obscura
De uma leveza que não consigo se quer
Compreender
Que face é essa que estou vendo?
Tão presente, tão remota
Traços de um rosto que desconheço
Imagem distorcida que enfrento
Todos os dias
Personagem de varias historias
Mascara de vários momentos
De quem seria essa imagem?
Vidro alisado, reflexo do que só eu não vejo
De que espelho transfigura-se essa figura?
De que desejos espelho minha própria face?
Se não reconheço meu próprio rosto,
retrato de meu mundo para tantas almas
Onde está aquele que tanto procuro
personagem central de
um mundo esquecido e apagado?
Se não eu, quem sou eu?
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O que consigo ver afinal?
Hoje, Dalva é uma mulher forte, que o tempo a tratou de deixar assim. Porém em sua juventude, seu temperamento era outro. Uma jovem dominada piscicologicamente pelo pai reinava. Rodolfo era um homem de habitos rudes e rispidos que muitas vezes deixava-se abstrair pelo álcool, agravando ainda mais o seu comportamento. Dalva, apesar de tudo, ao contrário do resto da família, admirava o pai e encontrava no sofrimento que ele lhe causava, uma forma de martírio próprio, em nome de algo que nem ela mesmo sabia. Como era de se esperar, um dia a morte bateu a porta de Rodolfo.
Uma brisa e uma leve garoa acompanhavam o velório. A família fingia tristeza enquanto o caixão descia naquele buraco. Durante essas pequenas cenas, Dalva se compadecia do pai e sentia que um pedaço de si partia junto àquele caixão.
O tempo pareceu voar a partir daí e como era de se esperar noite chegou logo. No pensamento de Dalva a figura do pai não a deixava. Mesmo deitada na cama, esses pensamentos não a libertavam. O silêncio predominava nessa hora.. A ruptura dos pensamentos de Dalva ocorreu quando um barulho da cozinha se ouviu. Dalva um pouco temerosa levantou-se presisva saber o que estava acontecendo, chegando à fonte do barulho uma luz predominava o local.O barulho se extingui e apenas uma luz branca pairava no ar. O coração dela começou a bater mais rapidamente, com muito medo resolveu se aproximar calmamente. Quanto mais perto chegava mais forte a luz ficava. Derrepente a luz se extinguiu e visível pode ser a figura de seu pai
Como poderia ser? Todas as minhas lembranças ai em minha frente - Penasava Dalva. Era mesmo ele. Mesmas feições, mesmos olhos, mesma aparência ríspida...
Nada conseguia dizer, sentia que o coração estava para sair, quando do mesmo modo que apareceu, ele sumiu. Tudo que restou a ela foi ir para cama e tentar voltar a realidade, como se fosse possível agora...
O dia lher pareceu realmente longo. As tarefas, que antes lhe dava prazer, agora lhe pareciam fatidigas e repetitivas. À noite, tudo se repetiu e Rodolfo voltou a aparecer. Agora ela se sentia mais forte, precisava saber o motivo de estar ocorrendo isso.
- Pai! Por que você está aparecendo? o que quer?. O silêncio continuou do mesmo modo, mas algo no olhar dele havia mudado. O olhar lhe pareceu claro e dele Dalva alcançou as respostas que necessitava.
No outro dia tratou de ajeitar tudo. Uma missa ele pedia. Pensava ela que isso o faria finalmente descançar e foi exatamente isso que acabou acontecendo. Depois daquela noite ele nunca mais voltou a aparecer, mas o coração de Dalva sabia que Rodolfo estava bem agora.

Semana que passou
Estava cá organizando meu computador (ainda não terminei infelizmente) e encontrei esse conto. Eu não lembro bem por que eu fiz, mas trata-se de outra versão do texto Terceira Batida do Relógio. De qualquer forma, está aí a continuação que algumas pessoas me pediram. Essa semana foi muito chata. Eu fiquei apenas em casa, cuidando da minha pesquisa de monografia e organizando tudo. Minha vida ainda é uma bagunça total, mas eu sinto que as poucas as coisas estão voltando ao normal.... Té semana que vem!
Alguns dias atrás, estava eu conversando no MSN com uma amiga minha sobre dentistas. Ela me contou um causo engraçado, no qual, teve que obturar um dente e acabou sentindo um desconforto antes mesmo do dentista começar. Uma sensação que surgiu do nada, um medo reprimido... ou talvez não? Nesse caso e, quem sabe em muitos outros mais, dentistas surgem como a materialização de nossas angustias e medos, mas principalmente de nossas dores. Muitas vezes, achamos que já estamos completamente curados de certos males, até quando misteriosamente alguns sintomas voltam. Não me refiro somente às moléstias físicas, mas às mais profundas, aquelas que estão enraizadas em nossas almas.
Sempre que se atravessa uma fase difícil, mergulha-se dentro de determinados problemas. Sofrimento, sentidos paralisados, confusão. É uma sensação similar a receber uma facada. Uma primeira grande dor inicial e uma segunda, quando a faca já está alojada. Enquanto ela está ali presa, cria-se uma espécie de dor confortável que vem sempre em ondas. É cômodo reclamar dos problemas, mas não tomar nenhuma atitude para mudá-los. É cômodo receber os carinhos dos amigos, mas sempre por causa de reclamações. É cômodo se ver no espelho e achar que tudo está horrível e que não tem solução. É ruim, mas cômodo.
O mesmo é para a faca presa no peito Dói, incomoda, mas está lá. Intacta. Apodrecendo a carne. Fazendo-se parte do corpo. A partir daí, trata-se de postura. Aceita-se que é melhor continuar com dor do que – pasmem - remove-la de lá. Retira-la causaria mais agonia do que se sentiu ao recebê-la. Seria pior, obviamente, mesmo que seja isso que daria o tão merecido fim a tudo. Fazer o quê se é mais cômodo deixar tudo como está?
Contudo, remove-la pura simplesmente não basta. Quando se resolve retirar a faca, sangrar o que se tem pra sangrar, a ferida não simplesmente acaba. Não sozinha. Sempre há estilhaços. A partir do momento que se escolhe viver, sempre há alternativas por trás que devem ser feitas também e que, muitas vezes, são simplesmente deixadas de lado. Não é tão simples recomeçar, enquanto a causa central dos nossos males não for também tratada. Feridas nunca fecham e corremos o risco de sofrer, quando menos esperamos, a mesma dor outra vez.
Crescer envolve dor, sim, mas não sofrimento. Sofre-se pura e simplesmente pela comodidade de sair do mesmo lugar e se mover em frente. Abandonar valores é a mudança mais difícil e drástica para um ser humano, mas é justamente essa transformação que manda pra p.. que pariu dores que simplesmente não nos deixam mais viver. Caso contrario, seremos sempre pobres pacientes sentados na cadeira do dentista, reclamando de uma dor que escolhermos ter, esperando por uma anestesia que talvez nunca venha. Ruim, mas cômodo.
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Semana que passou
A semana passada foi muito morta, justamente por causa do feriado. Fiquei apenas em casa cuidando das minhas tarefas virtuais e coisas da faculdade. O fim de semana foi particularmente ruim por causa de alguns problemas que eu achei já estarem acabados, mas o final do domingo foi simplesmente demais. Posso dizer que finalmente estou voltando a viver outra vez. Não garanto atualizar semana que vem o blog, em função de vários assuntos acumulados tanto na faculdade e na internet para fazer, mas, eu sinto que as coisas vão ficar bem a partir de agora. E respondendo o que um amigo meu me pediu, sim todos os meus textos falam de mim mesmo. Até mais pessoal!
Algumas semanas atrás, em meus dias de pura fossa, li alguns livros da Martha Medeiros e me deparei com um texto chamado "O contrário do Amor". Nele é discutida a confusão que as pessoas fazem ao definir o ódio como oposto do amor, quando, na verdade, o pólo contrário seria a indiferença. Concordo com esse ponto, mas fiquei pensativo com o conceito de odiar explicitado ali. Há poucos dias atrás me deparei com o mesmo texto no perfil do Orkut de um amigo meu e comecei a refletir a respeito. O amor e ódio não são completamente opostos, muito menos, figuram dentro da mesma balança o tempo todo. Amor e Ódio são sentimentos que coexistem em mundos quase que completamente diferentes.
Quando amamos e somos amados atribuímos a nossa felicidade a uma pessoa. Não são atos ou palavras que nos fazem amá-la. A simples presença em nossas vidas harmoniza os dias e nos enche de alegria. Quando isso acaba por alguma razão a pessoa que não queria que isso acontecesse (por que sempre há alguém abandonado, balela isso de “nós dois achamos melhor assim”) passa a odiar seu companheiro. Ou, pelo menos, acha que é isso que sente. Ódio é um sentimento próximo da paixão por sua intensidade e força, mas, de longe, é similar ao amor.
Odiamos todos aqueles que agridem nossos valores. Políticos corruptos, assassinos bárbaros, estupradores noticiados pela mídia, a fofoqueira da esquina. São pessoas que mexem com princípios que sempre tivemos e que usamos para regrar nossas vidas. Odiamos pelos seus atos. Odiar, nesse caso, é mais uma forma intensa de desprezo, muito diferente daquele que sentimentos por alguém que já amamos...
Você não odeia a única pessoa que realmente entendeu seus problemas e ficou do seu lado quando ninguém mais estava. Você não odeia quem lhe fez acreditar que a felicidade realmente existe, alguém que finalmente entendeu todas aquelas suas neuras e que tinha algumas parecidas também. Você não odeia aquele ou aquela que dizia palavras tão bonitas, que fez juras em que seu coração realmente confiou. Você odeia ver tudo isso se desfazer. Odeia acreditar que pode não ter sido verdade, que nunca mais será. Odeia pensar em alguém que não tem o mesmo tipo de pensamento por você, que pouco liga se está vivo ou morto. Odeia o quão longo se tornaram os dias e como as noites se tornaram incertas. Odeia, enfim, uma saudade cretina sem fim de dias felizes, de mais alegria e menos tristeza, de mais amor e menos magoa. Não ódio.
Amar e odiar sempre foram colocados lado a lado, às vezes, em campos opostos, às vezes, como partes do mesmo plano, mas jamais, afinal, separados como, muitas vezes, deveriam ser. O que é esquecido é que o amor verdadeiro se basta por si só, não necessita de atitudes do objeto amado para que o sentimento continue a existir, enquanto o ódio precisa, de fato, de uma justificativa para estar ali. Presente. Amamos uma pessoa e odiamos os seus atos. Nunca o oposto. Numa coisa o amor e ódio realmente se contrapõem. Enquanto, o primeiro resgata e aflora tudo aquilo que temos de bom, qualidades que às vezes nem mesmos sabemos que temos, o outro apaga parte de nossa personalidade e nos faz crer, infelizmente, que somos o que não somos de verdade.
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Qual é o primeiro a morrer: As magoas ou o amor que sentimentos? Afinal, onde está a tão falada linha tênue que separa o amor do ódio?
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Semana que passou

A semana que passou foi até que boa. Eu revisei mais alguns textos para o Revil e organizei um pouco as minhas tralhas no computador. Zerous me mandou dezenas de músicas do David Usher e eu até que gostei. Como tenho apenas dois dias de aula por semana me sobra um tempo livre razoável para lidar com as minhas badernas na Internet. Também, depois de algumas semanas de enrolação voltei para o RPG, não com aquele vício todo (o que eu sei que nunca mais vou ter), mas não deixa de ser um passo. Minha vida está relativamente nos eixos, apesar de eu estar bem descontente com a faculdade. Estou ainda me decidindo se tranco agora ou se agüento mais um ano. Talvez seja bom para o meu currículo, talvez não. Nesse final de semana aconteceu a Romaria em Cosmo Canyon (Nonoai). Aproveitei pra comprar uns badulaques e sair um pouco. Meus primos me arrastaram para uma festa lá, uma espécie de show com apenas músicas dos anos 80, foi muito legal. Aproveitei esse clima e tirei uma foto meio aloc parecida com um emoticom que o pessoal do Revil usa no MSN
Té semana que vem!
Ela é uma bruxa. Não desgruda de mim. Poucas são as vezes que consigo sair sem dar explicações. Vigia cada passo que eu dou, como se a minha vida a lhe pertencesse. Tento ignorar sua presença, mas é impossível. Sempre está lá. Impassível. Assistindo todos meus movimentos.
Megera. Sua presença constante oprime meus movimentos. Ligações, gritos, cobranças. Sua visão me segue por onde vou. Sinto-me sufocado, preso entre seus dedos. Mas, ao mesmo tempo em que tenho essa necessidade tão grande em me libertar, é justamente em seus braços que sinto o calor mais afável e envolvente. Aquele que meu coração realmente necessita.
- Mãaaaaeeeeee, onde você pos meu livro de inglês?
É, meu caro, não vivemos sem elas. Seja para nos cobrar um pouco mais de organização, tirar nossas paciência nos tratando como crianças de cinco anos ou simplesmente mostrar o quanto gostam de nós, filhos ingratos, na frente de todos os nossos amigos. São elas, mulheres extremamente cativantes e amigas que mostram do seu jeito um amor que nenhuma outra mulher no mundo irá nos dar. O amor de mãe.
São nossas eternas companheiras que aturam boa parte de nossas infantilidades sem perder o rebolado. Querem-nos no caminho certo e não poupam esforços para que isso ocorra. Até mesmo, quando nós mesmos achamos, pela nossa própria inexperiência, que estão erradas. Isso até o chinelo comer. Sua arma de imposição tão temida por todos nós.
Que não seja só um dia do ano usado para lembrar o quão importante é o amor de nossas mães é para nós, pois é nos restantes que esquecemos, enfim, de valorizar nossas amadas megeras. Aí delas se não fossem assim!
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Nossas Megeras...
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Feliz Dia das Mães!
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Semana que passou...
Essa semana foi extremamente chata. Fiquei sem computador até quinta feira. Aproveitei o tempo para começar a ler os textos para minha monografia. Vai ser um tema bastante interessante e certamente repercutirá aqui. Será sobre Blogs, mas ainda não tenho total certeza do que exatamente dentro desse assunto. Também, fiz as fichas dos personagens da minha FIC de Ragnarok que vou começar assim que tiver tempo. Revil anda meio agitado com a aparição de uma tal de Gossip Girl, cheio de fofocas de vários usuários. É provável que eu volte a mexer com o RPG nos próximos dias. Minha organização no computador parou com as músicas, mas também pretendo continuar. Sem falar nas Reviões para o Revil que estão se acumulando. Eu preciso me mexer. Comecei a ouvir The Corrs, será que esse será meu novo vício musical? Aguardem e vejam! Boa final de semana e boa semana a todos!

Havia em uma época bastante remota um viajante que vendia os mais diversos produtos em todas as cidades da região onde morava. Apesar do mapa traçado e de sempre alcançar boas vendas, ter, enfim, uma vida tranquila, sentia em si uma necessidade em buscar o novo, expandir seus negócios, evoluir como ser humano. Não sabia exatamente como fazer isso até se deparar com uma encruzilhada já bastante conhecida sua. Um daqueles caminhos ali a frente levava a uma das tantas cidades que sempre visitava e o outro era completamente desconhecido até então. Parou um instante e refletiu sobre o segundo, pensando consigo mesmo o que poderia encontrar lá caso caminhasse naquela direção. Após um breve instante, decidiu, então arriscar-se e seguir por ali mesmo. Contudo, assim que começou a percorre-lo, o medo do desconhecido o impedia de seguir. Angustiado acabou por voltar a caminhar por aquela velha estrada já sabida por ele. Passou, então, a vida toda em torno da expectativa do que encontraria lá, sem jamais tentar novamente. Muito tempo depois, já velho, resolveu num golpe de coragem pegar aquele caminho desconhecido e ir até o seu fim. O medo agora era apenas uma marca do passado. Ao encontrar o final de tal estrada, teve a maior surpresa de sua vida. Seu corpo estremeceu sem entender e seu coração quase parou ao perceber que aquele caminho que permaneceu longos anos assombrando seu pensamento não era mais do que um simples beco sem saída. O medo fora seu único arrependimento...
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Crescemos habituados a fazer escolhas sempre começando pelas mais simples. Nossos doces favoritos, cores que gostamos, roupas que vamos usar. Aos poucos, passamos a outros níveis, partindo, então, para a construção de nossa identidade. Os amigos que vamos ter, nossas músicas favoritas, os sonhos que queremos realizar. Fazemos nossa caminhada não por uma estrada, mas pelas várias que vão surgindo. Nada é concreto. Indagações nos fazem repensar nossos passos, abrindo outras rotas por onde podemos também seguir, mas os medos que temos nos impedem, enfim, de tentar.
Com o passar do tempo, esquece-se que não está propriamente no resultado de uma tentativa a essência da realização, mas no próprio ato de tentar, pois é somente a partir dele que realmente aprende-se a caminhar. Não há melhores ou piores estradas para isso. Quando se arrisca, mesmo que pelo caminho errado, sabe-se, então, que não é por ali que se deve seguir. Isso é válido em escolhas que se sabe racionalmente serem viáveis e de certa forma seguras, afetando a vidas de uma forma mais geral e não em outras mais momentâneas como fumar crack ou pular de um avião sem para-quedas. Estas são desvios de caminho e não tentativas.
Os erros nos trazem aprendizado e os acertos... acertos. Enquanto um mostra em que pontos se necessita evoluir, o outro demarca o quanto já se progrediu nesse sentido. Mesmo assim, quando se da um passo em uma estrada que parece tranquila, não significa que já se está no melhor caminho. A comodidade e a falsa sensação de segurança podem cegar e mascarar becos sem saída. Até nos caminhos que se sabem serem os melhores, há obstáculos. Nunca haverá um caminho completamente tranquilo. Sempre terão pedras, que constituirão, afinal, o tão procurado aprendizado.
O medo é um sentimento constante em nossas escolhas. Está sempre a sombra, atrás de nossas dúvidas, na expectativa de nos tornar incapazes, a partir de lições que no fundo já aprendemos. Ele é apenas o que restou, o marco de pessoas que felizmente não somos mais. Ele insiste em ser nosso guia em caminhos que nos levam sempre a becos sem saídas. Somente na ausência dele é que realmente conseguimos ouvir o que há de mais importante em nós mesmos: nossos corações. Clichê, mas verdadeiro.
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Por quantas vezes não nos deixamos de seguir um caminho por temer o desconhecido? Ou nos levamos pela situação mais cômoda e nunca arriscamos brigar pelos desejos que ainda não realizamos? Habituamos a sempre prezar a segurança, mas até onde ela é necessária e até onde é ela quem interrompe a busca pelos nossos sonhos?
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Semana que passou...
A semana de agora fora extremamente tranquila. Apenas uma prova meio complicada na segunda feira de lingüística aplicada. O restante fora extremamente calmo, sem nenhum sobressalto, coisa rara na minha vida nos últimos meses. Ando meio preocupado com o projeto de monografia e as minhas "obrigações" na internet, mas nada que um pouco de tempo não resolva. É bem provável que eu irei começar a trabalhar em breve. Dinheiro para, finalmente, poder realizar velhos sonhos. Fica questão: irei mesmo para a Anime Friends em Julho? Até semana que vem!
Dalva podia finalmente respirar. Sentia que agora sim, tudo havia acabado. Porém, algo dentro de si a incomodava, fazia-a sentir-se mal, como se uma parte de si, partisse com aquele caixão.
Era uma manhã mórbida. O sol, parcialmente escondido por nuvens escuras clareava fracamente o campo verde onde Dalva se encontrava. Esse lugar, cercado por muros altos e poucas árvores, abrigava um mar de pedras retangulares que permitiam ali, o descanso de inúmeros indivíduos. A pouca vegetação do local recebia uma suave brisa que dissipava o clima pesado que se instalava ali. Além de Dalva, encontrava-se no local, pessoas trajadas de roupas escuras que acompanhavam o ritual silenciosamente. Pensamentos dispersos ocorriam pelo local, mas apenas a jovem mantinha sua mente e suas forças em um único assunto – Meu pai morto? – pensava ela – Só pode ser... Nunca fora um bom homem... Em momentos sóbrios apresentava hábitos ríspidos e frios... Em outros momentos, ahn! Outros momentos... Nem é bom lembrar...
Ao final do velório, Dalva ainda se compadecia de seu pai. As pessoas começaram a deixar o lugar e uma leve garoa dava início. Dalva continuava parada, enquanto água molhava seus longos cabelos escuros e o vento gelado trazia consigo a lembrança de momentos pouco agradáveis. Perdida em seus pensamentos, tentava descobrir o motivo de sua frieza. Não seria ela diferente dos outros? Ninguém se importava com o velho...
Pedro temeroso por sua mulher resolveu leva-la para casa Dalva sentiu que as tarefas diárias lhe pareceram tão repetitivas, enquanto sua mente perdida não permitia a mínima concentração. Como era de se esperar o tempo voou... Enfim a noite caiu.
Na hora de jantar, habitualmente, um silêncio respeitoso pareava. As crianças vagarosamente comiam o que lhes era servido, sem nunca retirar os olhos da comida. Pedro agia como de costume (com sua ausência de ruídos) e apenas notava com estranheza o comportamento áspero de Dalva. Não sentia fome, pegava apenas pequenas grafadas. Precisava disfarçar! Não queria ser aborrecida com perguntas desnecessária. Poderiam achar agora que não se importar com a morte do pai? Preferia apenas guardar isso pra si.
Todos já haviam deitado, apenas Dalva ainda se detinha em pequenas coisas na cozinha. Agora seus pensamentos não lhe importunavam mais. Gostava do pai... Podia ser a única... Não sentira nada naquele momento, talvez por achar que ele estaria melhor agora... Começou em suas distrações avaliar o ambiente que estava. A casa nunca lhe pareceu tão escura e fria, o pequeno lampião não cumpria a sua parte. O vento fazia com que as janelas martelassem nas paredes lhe trazendo uma sensação desagradável. Quando estava por terminar o que fazia, ouvira um barulho. O relógio anunciava onze horas e na terceira batida, uma luz surgiu! Era o pai de Dalva quem aparecia para finalmente tira-la da escuridão...
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Minha vida está normal agora. Não que eu tenha feito grandes avanços no sentido de "continuar vivendo", mas neutralizei muito do mal que estava sentido. Isso não me deixa mais feliz, mas me da uma sensação de tranquilidade que a tempos eu estava querendo. Ainda estou extremamente desmotivado com a faculdade. O que eu espero é ter um pouco mais de coragem essa semana para finalizar alguns assuntos e poder, de fato, continuar com a minha vida. O texto é uma narrativa verídica do que aconteceu com a minha avó após o enterro do pai dela. O final "misterioso" se justifica no fato de minha avó não saber o que aconteceu exatamente naquele momento. Seria uma aparição fantasmagorica ou apenas uma ilusão? Tenham um ótimo final de semana e uma boa semana! Té semana que vem!
Sou todas as palavras que não disse
Os afagos, abraços que não dei
Os singelos sorrisos que não distribui
O amor puro que não declarei
Sou as longas caminhadas que não fiz
As chuvas de verão que não tomei
Os perdões sinceros que não pedi
As lagrimas de dor que não derramei
Sou os amigos verdadeiros que não conquistei
Os empregos ruins que não perdi
Os grandes objetivos que não cumpri
Todos os sonhos que não realizei
Este sou eu, misto de arrependimentos
De tudo que deixei e ainda deixarei de fazer
Pois não sou mais do que um poço carregados de medos
Daquilo que não fiz e que me fará me arrepender.
[Willian Guimarães]
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Não vou dizer que minha vida está ótima, porque não está. Continua a mesma caminha em rumo ao vazio. Uma hora melhora. Talvez sim, talvez não. Viva como se não houvesse nada para se arrepender, pois é com medo de se arrepender que mais nós nos arrependemos. É isso. Bom final de semana para todos.
Poucas pessoas sabem que a vida não é somente fases, mas também estações do ano. Verão são sempre afáveis e alegres; outonos, transitórios, insossos; primaveras são as renovações, os recomeços e os invernos são todas as mortes que passamos. Todas essas estações transcorrem naturalmente dentre dos seus ciclos com exceção do Inverno. A estação mais fria de nossas vidas pode assolar nossos corações eternamente se uma força não obrigá-lo a partir. A nossa própria força.
Não reparamos quando aos poucos as folhas começam a cair, o clima esfriar, o tempo escurecer. Não reparamos quando os dias não são mais tão afáveis, leve garoas pairam sobre nossas cabeças e a escuridão começa a chegar. Estamos ainda inebriados pelo calor, absorvendo o forte sol, iludidos por toda aquela luz. Estamos ainda vivenciando dias que já passaram, sonhando com o céu azul, acreditando que nada irá acabar. O outono é apenas um meio termo temporário. Nunca reparamos quando o inverno chega a nossas corações, as nossas vidas.
Pode chegar repentinamente ou aos poucos, mas sempre corresponde com a morte de algo dentro de nós. Seja um amigo que foi embora, um grande objetivo que falhou, um sonho que se despedaça ou um amor que morre. São sempre perdas que nos tiram o chão, derrubam-nos, abalam nossos sentidos e nos mergulham num vazio cheio de lembranças. É o inverno.
Percebemos sua presença quando estamos cercados de neve, tilintando os dentes de frio, sem saber para onde ir e o que fazer. Normalmente, as pessoas tentam voltar ou agarrar a lembranças, recorrendo a velhas formulas, mas isso não traz calor suficiente. Agasalhos em forma de afeto e carinho de amigos e familiares são mandados para aquecer, mas isso não afasta o inverno de dentro de si. A nevasca continua. Os dias permanecem escuros e difícieis até quando por alguma razão resolve-se dar o primeiro passo em frente. Para a liberdade.
Por mais bem intencionados que as pessoas que nos cercam seja, nada fará determinadas dores passarem, enquanto nós mesmo não decidimos seguir em frente. Seja abandonando lembranças, desviciliando de pessoas que nos fazem mal, dando um tempo para determinadas atividades, cada movimento que é feito é um passo feito em direção ao final da tempestade. Ao contrario daquele ditado bastante conhecido, o tempo não da conta do recado sozinho, enquanto nós mesmos não decidirmos seguir em frente.
Apesar disso tudo, das quatro estações da vida, o inverno é a melhor delas. É nela que revemos conceitos, que matamos dentro de nós determinados medos e onde, principalmente, aprendermos ser fortes. Todo inverno em nossas vidas dura o tempo necessário para angariamos forças e, enfim, seguirmos em frente. O melhor disso não está na força que adquirimos, mas no quanto aprendermos sobre nós mesmo. Quando menos percebemos, a neve foi embora, o sol voltou a brilhar e flores rodeiam nosso caminho. Nada mais, nada menos do que a primavera começando e dando uma nova chance a nossas vidas.
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Agradeço a Ana Carolina pelas idéias para o texto. Dias chatos e frios. Faculdade começando a saturar. Vamos rezar pra algo ínteressante para fazer apareça... Abraços!
Willian Guimarães é apenas mais um estudante e pesquisador do curso de Letras da UPF. Pretende ainda se formar em Jornalismo ou Psicologia. É um acadêmico engajado e tímido, que pouco se envolve com as pessoas a sua volta, por não se sentir dentro do mesmo mundo delas. Na internet, é bastante sociável, sempre tendo os mais variados seres a seu redor. Will é nomeado por amigos e conhecidos e Kaedes ( Caedes; do Latim, Carnificina) para os demais.
Exigente e perfeccionista, é atento as detalhes, as minúcias que compõe seu dia-a-dia. É ciumento, é paranóico, é barraqueiro, é inseguro, é desorganizado, é resmungão, é carente, é chato, é doido de pedra, amigo confiável de todas as horas, inimigos dos mais aborrecedores. Não sabe o que quer, mas não tem medo de ir buscar.
Homem centrado e apaziguador. Atencioso a todos. Um Líder nato. Leão destemido que não foge de um inimigo, Lobo curioso e distante que procura pouco envolvimento, mas acima de tudo é um Garoto compenetrado que caminha rumo ao sol, tentando largar ao longo do percurso os muitos gizes de cera que leva consigo.
Conseguirá ver o mundo em todas as suas cores?
"É preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, a margem de nós mesmos." [Fernando Pessoa]
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